27/12/2013

727 dias

Mesmo depois de tanto tempo longe, quando o vejo, ainda olho para o cara que tem tudo a ver comigo. Não consigo ver diferente.
Diziam que ele tinha o meu nome escrito na testa...
Hoje em dia eu vejo isso claramente.
Não sei o que o tempo trouxe, mas parece que não levou nada.

17/08/2013

Agosto,
desgosto,
tem gosto
de encosto.

28/07/2013

Amarrarei todos os males do mundo embaixo da minha cama antes de levantar.
Serei juiz, bandido e vítima de um mesmo crime.
Serei Napoleão, Picasso e Madonna.
Serei Al Capone, Elvis e os beatles.
Serei Cleópatra e Ramsés.
Dormirei ao lado de reis e rainhas.
Serei um deus com cabeça de elefante e corpo de gente.
Terei como amigos uma lebre e um chapeleiro louco,
Um coelho com pressa e um gato de sorridente serão meus companheiros.
Serei o dono da verdade e o maior mentiroso que já existiu.

Serei tudo isso e mais um pouco,
e ainda sim serei eu.





30/05/2013

Aos Livres e Inspirados.

E amanhã é segunda meu povo,
e a labuta começa de novo,
e a saúde se acaba um po'co,
e o tempo se esvai num côco.

E o velho caminhante,
e o novo errante,
caminham e erram
nos chãos em chamas,
com os pés em lamas,
carregando flâmulas.

De um lugar em que donzelas,
tão singelas,
têm segredos delas,
e seus caprichos.

Deitam com homens nobres,
cheiram a vinho e podes,
mas preferem os bichos.

19/05/2013

Talvez eu não devesse ter tantos conceitos,
tantas atitudes,
tantas justiças,
tantas lições;

Tantos preceitos,
tantas virtudes,
tantas cobiças,
e tantas paixões.


07/05/2013

Olho para os olhares que me olham.
E o que eles olham?
Será que eu sei?
Será o mesmo que eu olho?

E  o que eu olho?

Nada me interessa, nada me distrai, nada me anima, nada me choca, nada me chama a atenção.
Eu não tenho causa, eu não tenho objetivo, eu não tenho futuro.
Nada me faz rir.
Nada tem graça, nada é de verdade, nada tem motivo.

Eu costumava saber conversar.
Eu costumava gostar das coisas.
Eu costumava não descansar tanto, eu costumava não me cansar tanto.
Eu costumava fazer amigos, vários deles. Bom, eu acho pelo menos.
Eu costumava me divertir.
Eu costumava não julgar e tudo que tenho agora são julgamentos.
Eu costumava não pensar.

Eu costumava saber escolher, eu acho.
Eu costumava não saber o que sinto.
Eu costumava sentir.
Eu costumava ter curiosidade.
Eu costumava me importar.

Eu costumava ter vontade.
Eu costumava ter tempo.

E agora
Tudo parece tão vazio.
Inclusive eu.
Que nada me convence.
E nada me descreve.

05/05/2013

E que loucura é essa que vocês dizem que move tudo?

08/04/2013

Auto exorcismo:

Ato de escolher atos, hábitos ou palavras que lhe façam esquecer algo, alguém ou algum momento.

26/03/2013

Não quero ter o mesmo fim dos românticos que me precederam. Que ao contrário do que contam, não foi de tuberculose que morreram. E sim de desespero. Conto as crises de loucura que me assolam. E a cada número morro um pouco. Sou posto em choro ainda que rouco. Não sou um poeta do meu tempo. Meus medos não são meus contemporâneos. Anseio pelo futuro mas não me esqueço dos alicerces, muitas vezes vermelhos dessa nação que diz caminhar pra frente.

24/03/2013

Diário da procrastinadora.

Notei que estou num clima romântico sem motivo aparente. Deve ser o tédio. Não caço um romance porque dá trabalho. Mas até quando esse jeito genérico de escapar vai ser suficiente? Nem romance tem meu romantismo. Acho que estou precisando de conflitos. Vou precisar disso e alguns carinhos embutidos, pra amenizar a agitação. Terei duas coisas a focar.
Mas pelo menos,
o tédio passa.

21/03/2013

Amor Fati

" Para o ano novo. - Vivo ainda, penso ainda, ainda é preciso que eu viva, pois é ainda preciso que eu pense. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum. Hoje, concedo a todos exprimir seu desejo e seu pensamento mais caros;e também direi este ano, foi minha primeira intenção - qual o pensamento que deveria ser doravante pra mim a razão, a garantia e a doçura de viver! Desejo aprender sempre como beleza o que há de necessidade nas coisas; assim, seria um daqueles que tornam belas as coisas. Amor fati: que isso seja doravante meu amor. Não desejo entrar em guerra contra a feiúra. Não desejo acusar, tampouco acusar os acusadores. Desviar os olhos, que essa seja minha única negação! E, em resumo, desejo, qualquer que seja a circunstância, ser tão somente um afirmador! "
Nietzsche, A Gaia Ciência. Pág. 179. Livro quatro.

Não acredito que eu seja o suficiente para entender e compreender bem as ideias de Nietzsche, mas sempre que o leio, algo me preenche. Podem me faltar o amor, a dor, a cor nas coisas; então o leio, e me sinto um pouco dentro de algo. Ou algo dentro de mim.

03/03/2013

Por tempos tive algo pelo que escrever,

um motivo não dos melhores. E numa tarde quente, ele se foi. Deixando um buraco de dar inveja em qualquer um. Mas um buraco fácil de ser preenchido. Fiz o melhor pra mim, preenchi-o com uma folha em branco.
Se eu não estou criando, meu mundo não está girando.

18/02/2013

Eu vou me inspirando em loucos
em pessoas que morreram aos poucos
Vou beijando amantes toscos
e sorrindo pra velhos rostos

No entanto me entrego aos trancos
e abraço os barrancos
Amacio os bancos
e mexo os flancos

Eu vou me inspirando em loucos
em pessoas que morreram aos poucos
(Algumas) Vítimas do vício de pensar
(outras) da insanidade de escrever
e (outras até) da arte do não saber

Vivo na ânsia de que isso não me alcance
Escrevo, penso e não sei.
Mas morrer de loucura...
Que valha a pena.