17/08/2015

Querido V.,
          Sei que mal nos conhecemos, mas chamo-o "querido" porque és muito importante para mim - imagino que não saibas disso. Participaste de um dos momentos mais importantes de minha vida, o momento que me faz lembrar porque continuo interpretando e estudando teatro.
           Em uma de minhas primeiras apresentações - havia começado a estudar teatro a pouco tempo, assim como os demais que lá estavam comigo, você entra na sala, e eu imediatamente o noto, entra curioso, nos olha, senta na primeira fileira e aguarda. Eu me concentro. Ao interpretar o texto - "Poética" de Manuel Bandeira - olho para o público, o olho e não consigo desviar o olhar, minha vontade era fazer o texto para ti, encantada. O olho, seu olhar atento, sem piscar, olhos arregalados, boca entreaberta, um olhar de admiração, de encanto, minha vontade era sorrir pra ti, Antes, naquele dia, eu não sabia que escrevendo esta carta agora me emocionaria ao lembrar. Sabe, devo a ti o dia de amanhã, minha estreia em um palco.
           Tudo que tenho a falar: obrigada.
S.

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